quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Como cavar a própria cova, ou melhor... poça!

Muita gente fica se perguntando de quem é a culpa pelas enchentes em São Paulo. Será do desmatamento de áreas verdes? Da construção de pistas para aliviar o trânsito? Da poluição dos rios Pinheiros, Tietê e Tamanduateí? As respostas podem ser inúmeras mas não me sai da cabeça que a culpa é toda nossa. Aliás, vou até me excluir dessa porque, na questão da qual vou falar, me excluo completamente - da "porquisse" que os próprios moradores dessa cidade fazem nas ruas. As inundações, para mim, tem um único culpado - ou melhor, milhões deles - você motorista que atira lixo pela janela do carro, você morador que joga entulho em terreno baldio, você cidadão (se é que podemos chamar de cidadão) que entope bueiros com toda a porcaria que deixa pela calçada.

Outro dia fui até um banco na Lapa. Deixei o carro estacionado a uma quadra da agência e fui obrigado a caminhar num mar de guardanapos, embalagem de alimentos, sacos plásticos, tocos de cigarro e toda a sorte de nojeira que as pessoas deixam por ai. Eu que sempre guardo papel de bala no bolso até encontrar um lixo pra jogá-lo não consigo entender como as pessoas conseguem ser tão porcas em São Paulo. Nesse mesmo dia, vi o dono de um bar varrer para a calçada e para o meio fio uma montanha de guardanapos sujos que os clientes deixaram pelo chão. E o pior é que há multa pra isso, de acordo com a Lei Cidade Limpa. Mas cadê a fiscalização, a punição, a vergonha na cara?

E sabe onde esse lixo todo vai parar? Nos bueiros que deveriam escoar a água da chuva! Se eles estivessem livres do lixo não haveria tantas ruas alagadas e intransitáveis. Ontem mesmo, dia de mais um temporal que parou São Paulo, me deu vergonha ver a enxurrada se sacos pretos descendo pelas ruas até formarem "barricadas" em alguns cruzamentos. Enquanto isso a prefeitura, que demitiu servidores do serviço de limpeza, afirma que isso não vai afetar o trabalho. Queria ver seo Kassab de calças arriadas tentando desobstruir os bueiros do lixo que ele deveria ter mandado recolher religiosamente.

A prefeitura não cumpre seu papel direito - isso é claro pelas montanhas de lixo que vemos pelas ruas diariamente. Mas a população também não contribui. Vim de uma cidade em que a população é prepotente e ignorante. Mas tiro o chapéu pela sua educação nas ruas e consciência de cidadania em relação ao lixo. Em Florianópolis não se vê um papel de bala sequer jogado na rua. As pessoas que passeiam com seus cachorros carregam saquinhos plásticos para pegar a "caca" e jogar num local apropriado. Já aqui, a gente tem de andar olhando pro chão pra não pisar em nada. As vezes é melhor ir pela rua tamanho o mar de cocô nas calçadas. Outro dia uma mulher abriu o portão pro seu "poodlezinho de merda" deixar a marca dele na calçada. Esperei ela entrar e não hesitei: peguei o cocô com um plástico e atirei pra dentro da garagem, com força suficiente ainda pra escorrer pela parede. Talvez ela pense um pouco mais antes de fazer isso novamente.

O que precisamos é de educação e não de mais obras para tentar resolver um problema que a solução pode depender apenas da nossa consciência. Quando ver um saco de lixo descendo a enxurrada, pense que ele pode ter saído da frente da sua casa.

2 comentários

Luis Delcides R Silva disse...

parece que combinamos algo, Ogg! Eu também escrevi no meu blog sobre limpeza urbana e chuvas. Realmente, falta muita educação da população! segue o link www.luisdelcidess.blogspot.com

abs,

Dyego Queiroz disse...

Parabéns pelo profissional e pessoa que é. Sou estudante de jornalismo e busco me espelhar em profissionais da sua índoli e caráter. Suas ideias são meio que "compativeis" com as minhas. Adoro ler o que você escreve, sempre passo por aqui. Me tornei leitor acíduo. Me passe um e-mail pra eu poder te enviar o meu texto, pois ele não cabe no comentário. Vou manda-lo e espero que goste e diga o que achou. Caso queira dizer algo, meu e-mail é: dyego_q@hotmail.com Espero manter um contato com você, pois procuro prossimidade com pessoas e profissionais do seu tipo. Aí vai omeu texto que fala sobre o senso crítico no Brasil.

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