domingo, 27 de dezembro de 2009

Ano Novo! Será mesmo?

Mais um ano chega ao fim. É engraçado como o “suposto” término de um período promove mudanças em nossas vidas. A cada dia 31 de dezembro, fazemos promessas disso e daquilo, decidimos o que será e o que não será mais feito e escolhemos o que queremos e não queremos mais.

Na verdade somos tomados por um suposto poder, um suposto controle de nossas vidas que realmente não temos. A vida é imprevisível e por mais projetos que traçamos, nunca sabemos ao certo se eles serão concretizados. Como muito se diz, a única coisa certa nessa vida é a morte.

Não vejo a virada do ano como o fim ou o começo de algo. É claro que fomos educados em nossa cultura a comemorar isso, mas devemos manter a consciência de que o dia seguinte, o dia primeiro de janeiro, não será diferente do dia 25 de outubro, ou do dia 16 de março, a não ser pelo fato de ser um feriado como outros tantos feriados.

Então por que deveria ser o começo de uma nova etapa da vida? Por que não fazer esse começo hoje ou dia 08 de agosto? Por que não tratar como ano novo o momento em que nos curamos de uma doença, nos recuperamos de um acidente, conseguimos um emprego melhor, nos casamos ou temos um filho?

Muitas pessoas esperam essa virada para perdoar alguém. Outros, para iniciar um novo projeto, para emagrecer, para voltar a estudar. Milhares esperam mudar, se tornar pessoas melhores.
Outra centena espera o momento apenas para agradecer pelo ano que se foi. E me pergunto: por que esperar a virada do ano pra tudo isso? Esses deveriam ser exercícios diários de consciência.

De qualquer forma, o que importa é o que sentimos. A mudança é mítica, mas se isso nos faz acreditar que tudo será diferente, então que seja. Façamos do dia primeiro o marco zero de uma nova era, mas jamais esqueçamos de ser humildes e altruístas também nos 364 dias seguintes.

FELIZ DIAS RENOVADOS A TODOS!

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

ATENÇÃO - erro que provoca acidentes!

Muita gente imagina que colocar os melhores pneus da frente, traz mais segurança. LEDO ENGANO! Veja no teste abaixo como isso pode provocar acidentes.

video

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

É Natal... SOCORRO!!!

Até Papai Noel acha que o Natal é um saco
e tomou um porre pra esquecer!

Chegou o Natal, época de confraternização, de reflexão, de reunir a família, de trocar presentes, de ter o espírito mais leve. QUE SACO! Odeio Natal por tudo isso acima e por mais algumas coisas. Podem me chamar de mal-humorado, mas não sou hipócrita de dizer “Ai que lindo, é Natal!”. Calma, brincadeirinha... mas só em parte!

Primeiro, acho que a gente não precisa ter uma época específica pra se confraternizar, pra ter o espírito leve e pra reunir a família. Tento fazer isso sempre que possível nos fins de semana, nos feriados ou quando dá na telha. Ah, mas tem a ceia! Grande coisa: prefiro uma picanha suculenta ao peru seco da Sadia que todos os anos ganho da empresa. Tender também como em churrascaria... e com uma vantagem: não tenho azia depois de misturar rabanada, peru e pêssego com farofa de uva passa, castanhas e frutas secas. Afe!! Deu “congestã” só de pensar.

Sabe porque acho Natal um saco? Porque não agüento aquelas musiquinhas ao som de harpa que tocam em tudo quanto é lugar. A Simone cantando canções natalinas é a maior Parada de Sucesso. Ela devia era dar uma parada com isso! Até camelô aderiu ao som ambiente natalino pra tentar vender mais. Vender mais? Saio correndo quando entro numa loja escuto Jingle Bells nos auto-falantes. Essa música devia chamar Jungle Bells.

E a selvageria das compras então? Minha mulher comentou, APENAS COMENTOU, que queria dar um pulinho na 25 de março pra ver uns presentes. Fiquei uma semana sem falar com ela. Ta bom, vamos no shoppis então. Fui! Mas fiquei mais três dias sem falar com ela de novo. Aquilo mais parecia posto do INSS em dia de pagamento de benefício. Primeiro, fila pra entrar no estacionamento. Depois fila pra estacionar (levei umas 6 horas até achar a vaga). Aí foi fila pra pegar a escada rolante, fila pra entrar na loja, no caixa da loja, no quiosque do cafezinho, pra pagar o estacionamento e pra sair do estacionamento. Era tanta gente que quando pedi uma camiseta Adidas na loja e o cara falou que só tinha da FILA, quase matei o camarada de pancada!

E a festinha da firma então? Não tinha lugar melhor pra acontecer... KARAOKÊ! Pensa num monte de gente bêbada querendo cantar em inglês, francês, finlandês e até japonês! Pior os que queriam cantar sério. Ainda tinha uma placa em cima do palco “favor não assoviar nem gritar nas apresentações”. Ta me gozando, né?

Amigo secreto então, nem morto. Você vai lá, gasta uns 200 paus porque teve o azar de tirar teu chefe e ganha um perfume da Contem 1g de presente. Cítrico ainda, que você odeia!

Quer outros motivos pra odiar o Natal? Os parentes de fora que acham que você mora numa mansão e resolvem lotar os dois quartos do teu apê de 80 metros quadrados durante uma semana; aqueles que resolvem ficar no Reveillon também; aquele presente do seu sobrinho que você gastou uma grana danada pra ele falar “Ah, ganhei um desse no ano passado!”; a Cidra Cereser que teu cunhado trouxe pra ceia; o kit de meias e cuecas que você ganha da sua tia-avó há 25 anos; o atual marido da sua ex que presenteia suas filhas melhor do que você; a ressaca e a azia do dia seguinte (bom, mas essa ta perdoada porque a gente uma a cada fim de semana).

Mas pra mim ainda tem um detalhe: o aniversário da minha mulher dia 26. Além dos dois presentes que ela exige, o duro é convencer a alguém a ir à festa. Dá azia só de olhar pro “dejavu”de peru e tender requentados! SOCORRO!!!

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sábado, 12 de dezembro de 2009

Mulheres... Vai entender!

Adoro-as mas faço um esforço danado para entendê-las. E quando penso que descobri a pólvora, pronto, outro ataque coloca tudo por água abaixo. Estou falando de vocês, mulheres. É claro que não posso generalizar porque não conheço todas. Mas conheci uma boa horda feminina que me permite filosofar sobre a espécie.

Hetero convicto meu destino está traçado a viver o resto da vida ao lado desse ser tão ímpar, tão único e tão complicado chamado mulher. Então tento me adaptar da melhor maneira possível. Mas confesso: êta tarefinha difícil. Vamos aos exemplos.

Era uma sexta feira, dia de dar uma saidinha. Gosto de botecos durante a semana, mas nos findi prefiro uma reuniãozinha caseira. Acordei cheio de amor pra dar pra dona Débora, minha mulher, enchendo-a de beijos e carícias pra depois avisar "Amor, temos jantarzinho hoje na casa do fulano". Digo isso e corro pro banheiro antes de ouvir o berro: "PQP... E VOCÊ SÓ ME AVISA AGORA?" É amor, só agora, DEZOITO HORAS ANTES, oras! Imagina se eu ligo as cinco da tarde. E não era uma festa não, era um jantarzinho na casa de amigos íntimos. Durante o dia recebi 35 telefonemas dela. Uns perguntando quem vai estar lá, outros perguntando o que usar, outros tantos querendo saber se vai ter comida. E ao final de todos eles a famosa frase: NÂO TENHO ROUPA PRA IR!!! BUÁÁÁÁ´!!!

Chego em casa, parece que ainda estou escutando o eco do buááááá...! Na verdade é o chororô que continua. Mas eu pressiono, boto um jeans, camiseta e tênis em cinco minutos e sento no sofá com aquele ar impaciente. Duas horas depois, conseguimos sair de casa, e ela ainda reclamando: "ESSA ROUPA TÁ PÉSSIMA, TO ME SENTINDO PÉSSIMA. TO HORRÍVEL NÃO TÔ? Não meu amor, você vai ser a mulher mais linda da festa. NÃO VOU NÃO. TÔ HORRENDA, NÃO TÔ? DIZ... Tá meu amor, tá horrível! CATAPLOFT!! E o tapa come na oreia. Vai entender!

Dia seguinte, sabadão, outro jantazinho na casa de outros amigos. Mas esse eu já tinha avisado três dias antes. Mesmo assim ouvi de novo o "*&#%$!@$%, PORQUE NÃO ME AVISOU ANTES???" Ai meu Deus, vai começar a ladainha da roupa. Só que dessa vez fui mais complacente. Fui lá no quarto, abri os armários, escolhi algumas opções e joguei em cima da cama. Na verdade a vontade era de enfiar goela abaixo pra parar aquele chororô infernal. Até que em um determinado momento daquele drama ela gritou: NÃO VOU MAIS, VAI SOZINHO! Tá bom, peguei a chave do carro, a garrafa de vinho e chamei o elevador. Desci, entrei no carro, abri a garagem e antes de trocar para a segunda marcha, o celular toca: "NÃO ACREDITO QUE VOCÊ VAI ME DEIXAR AQUI SOZINHA?" Ué, to seguindo ordens. Não mandou eu ir sozinho? Vai entender!

Mulher é mesmo assim. Quando diz NÃO quer dizer SIM. Quando diz SIM, quer dizer TALVEZ e quando diz TALVEZ quer dizer DE JEITO NENHUM! To mentindo?" Olha só: AMOR, TO GORDA! Não tá não. TO SIM, TO HORRÍVEL. Não tá amor, tá otima. NÃO MENTE, DIZ... TO IMENSA NÉ? Tá bom, engordou um pouquinho sim. CATAPLOFT!!! Vai entender!

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Futebol não, meu filho. Vai tocar violão!

Matheus tem cinco anos de idade e, como qualquer criança, adora futebol. Mesmo antes de vir ao mundo, uma camisetinha do time de coração do pai já estava pendurada na porta do quarto da maternidade. Ela se soma aos bichinhos com uniforme do time que lhe foram dados de presente, mesmo antes de vir à luz.

Matheus foi crescendo, ganhou bolas de presente, um uniforme completo do time do paizão e sempre vestia a camisa quando completava mais um ano de idade. As fotos de todos os aniversários revelam essa paixão do pai que era passada ao filho.

Quando começou a balbuciar as primeiras palavras, depois de “papá” e “mãm”, o primeiro grito que soltou foi “gooooool”. Já se via que ia ser um torcedor fanático. Ainda engatinhava quando saiu de joelhos, louco atrás de uma bola. Quando deu os primeiros passos então, parece que tinha aprendido a chutar, antes mesmo de caminhar.

Matheus fez três anos e foi pra escola. Nos intervalos, não queria saber de outra coisa a não ser da bola que carregava sempre na mochila. Muitas vezes “pirraceava” quando a mãe o proibia de ir à escola com o uniforme do time. E não adiantava explicar que ele tinha de usar o uniforme da escola. E seus olhos brilhavam quando passava em frente aquela imensa construção com a inscrição “Estádio” e ouvia “Papai ainda vai te trazer aqui!”.

Matheus adorava aquele mundo chamado futebol, mas ainda não entendia direito o que era. Só ficava encantado, assistindo aos jogos pela televisão junto ao pai e depois saia correndo pra pegar a bola e fazer a mesma coisa que aqueles “homenzinhos” que estavam ali na tela.

O garoto foi crescendo e entendo um pouco mais das coisas. No último fim de semana, já aos cinco anos de idade, foi presenteado pelo seu pai com a primeira visita ao estádio. Afinal era a final do campeonato – um momento de festa, de confraternização. Mas quando terminou o jogo, o menino presenciou pela primeira vez uma violência que jamais vira até então. E, assustado, disparou ao pai:

- Quer dizer que depois de jogar bola a gente pode bater nos coleguinhas? Porque aquelas pessoas estão quebrando tudo? A gente pode fazer isso também? Pai, quando eu crescer você compra um porrete daqueles pra mim? Porque a polícia está jogando bombas neles? Nossa, quanto sangue na cara daquele ali! Pai, a gente pode jogar pedra na polícia também? Porque você me ensinou a gostar disso? Não era pra ser uma coisa legal?

O pai engolia cada pergunta e não conseguia soltar as respostas. Chegou em casa, pegou tudo que era do menino relacionado a futebol e queimou dentro de uma lata. No dia seguinte lhe trouxe um violão de presente e disse: “Meu filho, a partir de agora você vai ter outra paixão. E tudo que você quiser me perguntar sobre isso, eu vou saber te responder”.

Ao presenciar cenas como as desse fim de semana, sinto a mesma vergonha desse pai que representa milhões de pais brasileiros que tentam ensinar o melhor aos seus filhos. Fico pensando apenas de como será na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016. Se eu tiver mais um filho agora, tomara que as coisas tenham mudado até lá.

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A GAFE NOSSA DE CADA DIA

Carla Perez disse, recentemente, no Silvio Santos que o Alasca tem praia. No mesmo dia já tinha afirmado que o Deus grego que adorava vinho era “Barco”. E já respondeu, categoricamente, quando perguntada se tinha algum hobby: “tenho um preto mas gosto mais do vermelho”

Gafes são comuns. Quem nunca cometeu uma? Duvido que você, que está lendo esse artigo agora, já não tenha cometido um fiasco qualquer durante a sua vida, por menor que seja! Cometer gafes faz parte do ser humano. Errar faz parte do ser humano. Principalmente do brasileiro, um povo desencanado, despreocupado com etiquetas e formalidades.

Eu mesmo tenho uma coleçãozinha de gafes que protagonizei. Como uma, por exemplo, em que cheguei para o filho (filhoooo!) de um amigo que encontrei na rua e disse “Nossa, como cresceu essa menina!”. Pô, quem mandou usar aquele cabelão comprido a la roqueiro? Certa vez passei horas tentando convencer uma sitiante a me dar entrevista para uma matéria sobre o filho dela que tinha desaparecido. Quando consegui e durante a entrevista perguntei se o “Thiago” era bom filho, ela me disse? “Que Thiago? Meu filho que desapareceu chamava Nérso... e já faz uns trinta e cinco anos que ele sumiu!” Depois de quase uma hora fui perceber que tinha batido no sítio errado. A verdadeira história tinha acontecido na vizinha.

Mas eu tenho um amigo jornalista que, esse sim, pode ser considerado o “Rei da Gafe”. Ele já tem lá os seus cinqüenta e poucos anos, mas dá fora atrás de fora até hoje. O mais engraçado é vê-lo contando suas papagaiadas. Uma vez ele foi para a Espanha, pegou uma mobilete e foi conhecer umas praias. Chegou numa de nudismo e como sempre foi curioso pensou: “Vou nessa, aqui ninguém vai me reconhecer”. Estacionou a mobilete e se informou com o segurança onde podia tirar a roupa. Parou atrás da pedra indicada, ficou como veio ao mundo e pegou o livro que pretendia ler na praia (e alguém vai numa praia de nudismo pra ler?). Quando caminhava tranquilamente pela areia, avistou um monte de pessoas num restaurante no alto que gritavam e riam para ele. NENHUMA DELAS ESTAVA SEM ROUPA! Só aí é que ele foi perceber que tirou a roupa na pedra errada – era um pouco mais à frente. Só lhe restou usar o livro pra tapar o que podia e sair correndo.

Mas quem melhor que o nosso presidente para protagonizar gafes? O pior é que elas foram cometidas diante de alguns milhares de pessoas. Até no exterior! Olhem só:

“Não tem nada que cause mais inveja a um ex-marido do que ele ver a mulher dele mais feliz do que quando estava casada com ele”. Lula disse isso num palanque onde também estavam Marta e Eduardo Suplicy, já separados.

"O continente sul-americano e o continente árabe (??) não podem mais, no século XXI, ficar à espera de serem descobertos." Falando na Síria em 2004.

“Eu durmo com minhas cabeças tranqüilas” (??????). Durante coletiva em 2005. O pior é que elas não se entendem.

E por aí vai.

Mas o que fazer quando percebemos que cometemos uma gafe? NADA! O estrago já está feito. Só nos resta usar um sorriso amarelo, virar as costas e sair assoviando “Meu mundo caiu” em ré menor.

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Mais uma idéia de jerico!

Será mais uma lei que vai "pro saco". Essa história de querer fazer as motocicletas andarem nas mesmas faixas que os carros é mais um absurdo na tentativa de melhorar o trânsito em São Paulo.

A desculpa, dessa vez, é para tentar diminuir o número de acidentes. Mas será que os "exímios" engenheiros de trânsito em São Paulo não conseguiram enxergar uma coisa óbvia? Proibir as motos de circular pelos corredores vai conturbar ainda mais as faixas de automóveis que já são um verdadeiro caos. Pensem comigo: a frota de duas rodas em Sampa passa das oitocentas mil motocicletas. Levando-se em consideração que quatro motos ocupam o espaço de um carro, será como jogar 200 mil veículos a mais nas ruas.

Se o rodízio pouco resolveu o problemas dos congestionamentos, se essa lei do corredor entrar em vigor, aí sim a coisa vai complicar. Acho que o problema dos motoboys não é eles andarem no corredor, mas sim andarem "a mil por hora" no corredor. Se houvesse um jeito mais inteligente de barrar a velocidade deles com, por exemplo, mais radares de velocidade específicos pra motos e multas mais pesadas pros "cachorros-loucos", talvez a coisa funcione melhor.

Essa lei reflete a velha mania brasileira de resolver tudo pelo jeito mais fácil. É tipo assim: se aumentar o assalto nas calçadas, vamos proibir as pessoas de andar nas calçadas; se crescer o crime em pizzarias, vamos proibir pessoas de frequentar pizzarias. Tenho medo de que aumente o número de infartos durante as relações sexuais - vão proibida a gente de trepar.

Afinal, não é mais fácil assim, acabar com o meio onde ocorre o problema do que acabar com o problema? Brasil, Brasil, Brasil!

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ídolos que inspiram e motivam

Entrei para o jornalismo sem nunca ter pensado em seguir essa carreira. Eu era gerente de uma livraria e tinha acabado de trancar matrícula num curso de arquitetura. Mas quando pisei num estúdio pela primeira vez, senti que aquele ali era meu lugar. O mundo das redações também sempre me encantou e quase tive um troço quando visitei o jornalismo da Globo, lá pelo fim dos anos oitenta, quando eu começava a carreira num emissora afiliada. Naquela época Willian Bonner era um garotão como eu, trajando tênis, calça jeans e camiseta surradas. Passou por mim carregando um monte de fitas U-matic (sistema de gravação usado na época) cantarolando alguma coisa. Aquele mundo era meu sonho, eu anseava fazer parte de uma grande emissora um dia. Quando vi Bonner assumir o Jornal Nacional há 13 anos, aquilo me trouxe mais esperanças ainda. Ele chegou lá e eu tinha a certeza que também poderia chegar.

Assim como qualquer pessoa faz quando está desenvolvendo sua carreira, procurei me inspirar em alguém. Não para copiar seu estilo, seu modo de fazer. É apenas uma forma de dizer pra gente mesmo "quando eu crescer quero ser que nem esse cara". Essa pessoa era Celso Freitas. Sempre admirei sua postura, sua entonação e o grave da sua voz. Gostava também de Cid Moreira, mas o achava um tanto teatral - maravilhoso, mas não o perfil que eu queria seguir. Celso era mais o meu modelo de profissional.

Havia também Marcos Hummel, igualmente profissional mas de um estilo diferente. Preciso, coeso, seguro e sem inventar caras e bocas como outros. Foi nesses dois em que eu, na casa dos meus vinte e poucos anos de idade, me espelhava sem jamais imaginar que estaria ao lado deles um dia. Passei boa parte da minha vida acompanhando suas apresentações nas emissoras pelas quais passaram.

Quando entrei para a Record em 2006, em Santa Catarina, já com quase 20 anos de jornalismo nas costas, fui contratado para ser editor chefe e apresentador de um telejornal local. Anseava algo maior, mas também não imaginava que isso viria tão rápido. Meu maior presente foi ser convocado para passar uns dias na sede da emissora, em São Paulo, quando virei repórter de rede do Jornal da Record. Foi a primeira oportunidade de estar próximo daqueles que conduziram minha inspiração profissional.

Hoje é uma dádiva e uma honra poder ocupar, ocasionalmente, o lugar desses que, de certa forma, ajudaram a me tornar o profissional que sou hoje. Quando sento na bancada do Jornal da Record, agradeço, em silêncio, ao titular daquele lugar, ao grande Celsão (como o chamo hoje com a intimidade a que me permito pela amizade). Agradeço igualmente a Deus que permitiu que eu chegasse até ali. Também agradeço pela convivência diária com Hummel e nos momentos de bate papo na redação com ele que sempre me acrescentam algo.

O que relato aqui não é "puxasaquismo" nenhum muito menos deslumbramento pelo meio em que vivo hoje, até porque já passei da idade de ter esse tipo de sentimento. Só quis expressar a importância de termos exemplos a seguir, de admirar profissionais que possam nos ensinar algo, mesmo que distantes. Hoje, fico honrado quando estudantes ou jornalistas recém-formados declaram sua admiração pelo meu trabalho. Procuro, dentro do possível, inspirá-los e mostrar-lhes a importância de termos determinação e perseverança naquilo que fazemos. É uma forma de retribuir aquilo que fizeram por mim o Celso, o Hummel e tantos outros profissionais que me inspiraram e motivaram, me incentivando a buscar o que eu sempre quis.

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Do apagão às compulsões

Acompanhe abaixo algumas das minhas últimas reportagens, exibidas pelo Jornal da Record.

Compulsão Compras - quando o consumo demasiado vira doença
http://videos.r7.com/saiba-quando-a-compulsao-consumista-e-doenca/idmedia/117b70c598a76be8f1867f0602b0136d.html

Compulsão Eletronicos - fanatismo por celulares, notebooks e internet pode ser patologia
http://videos.r7.com/compulsao-por-objetos-eletronicos-pode-virar-dependencia-/idmedia/2471784721f2868cbdfb68f07773c39d.html

A Fazenda 2 - a expectativa antes da estréia
http://videos.r7.com/confira-domingo-a-estreia-de-a-fazenda-/idmedia/c9110799a4c95843178987d96e8b5b56.html

Natal mais barato - queda do dólar faz natal ficar mais barato
http://videos.r7.com/queda-do-dolar-deixa-a-mesa-de-natal-do-brasileiro-mais-farta/idmedia/8fdb1930899a1d0a7008dda05b06300d.html

Apagão - a noite em que SP parou na escuridão
http://videos.r7.com/transporte-publico-parou-com-o-apagao/idmedia/4092f665a3485e2f49f4b7b82adbd758-1.html

Assalto Monitorado - advogado avisa polícia de assalto em sua casa mas bandidos escapam
http://videos.r7.com/advogado-flagra-pelo-circuito-interno-de-cameras-ladroes-assaltando-a-sua-casa/idmedia/d1c19ac3fdcc4e27211e2297a1310cbb.html

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A cultura do fútil e as celebridades efêmeras

Até agora, eu tinha relutado em falar qualquer coisa sobre a tal da Geisy, aquela do vestidinho, da Uniban. Acho que a barbaridade regitrada lá não merecia tanta atenção assim. Primeiro por se tratar de uma estupidez tremenda dos alunos que protagonizaram a baixaria contra a menina. Segundo por achar que a mídia já deu importância demais ao fato. Estou sempre em ambiente de faculdade dando palestra e já cansei de ver por ali menininhas cuja mini-saia cobre apenas 20 centímetros de corpo entre o umbigo e as cochas. E nunca vi nenhuma retaliação a elas por causa disso.

A garota tá na dela, conseguiu seus momentos de fama e está aproveitando isso - aparecer em programas de TV, convites para posar nua em revistas masculinas, para desfilar em escola de samba e sabe-se lá o que mais. O que dá certa náusea é a atenção que a mídia tem dado a ela. E cada vez que uma coisa dessas acontece, vejo o quanto nossa cultura é pobre, sem valores, fútil e vazia.

Mas não é de se estranhar. Essa coisa de pegar alguém que participou de algum episódio ridículo e alçá-lo a "star of the moment" vem de muitos anos atrás. Alguém se lembra da Rose Fogueteira - aquela que lançou um rojão sobre a cabeça do goleiro Rojas, durante partida entre Brasil e Chile em 1989? Pois é, também fotografou para a Playboy, participou de programas de TV e desapareceu com a mesma velocidade com que surgiu, alguns meses depois.

E há ainda as indigestas mulheres frutas que tem apenas o traseiro grande no lugar do talento, o (ou a) Lacraia da Eguinha Pocotó e os incontáveis "famosos quem mesmo?" que passaram pelos BBB. Um bando de desconhecidos que tiveram menos de um ano de fama mostrando que o público os troca logo logo por qualquer outra celebridade efêmera que protagonizar qualquer besteira. As que ainda estão por ai, exibindo suas "habilidades" pelos programas de TV, já estão com os dias contados.

Mas toda essa horda de reis e rainhas da futilidade estão cumprindo seu papel que é de permanecer o máximo de tempo em evidência e aproveitar seus momentos de fama e ganhar algum dinheiro, pois sabem que eles acabarão em breve. Não os culpo. O que me repugna mais são os programas de TV, as revistas, os jornais e a mídia eletrônica que valorizam demais esse tipo de gente. Mas porque? Porque isso dá audiência. E porque dá audiência? Porque nossa cultura é pobre. Ninguém quer saber qual o real motivo do apagão, mas em qual programa a Geisy vai aparecer de novo. Ninguém quer saber das vítimas da enchente no Rio mas querem assistir a Mulher Melancia rebolando e cantando (cantando?) com aquela voz esgarniçada em algum palco.

Por isso o Brasil é o que é. Nimguém sabe o nome de qualquer pesquisador que está desenvolvendo vacinas para a cura da AIDS, mas conhece todos os integrantes do último big brother. O criminalidade é alta, a corrupção corrói o país, doenças matam cada vez mais? Não tem problema, basta dar diversão e bolsa família pro povão que tá tudo resolvido. Mais um reality show no ar e o povão tá feliz!

Aproveite Geisy, porque se alguém aparecer com um vestido mais curto que o seu, você vai dançar. E não será num palco!

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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Estás apenas distraído!

No dia do meu aniversário (13/11) recebi um email que veio bem a calhar nesses momentos, que são de reflexão. Emocionado, divido-o com vocês. Extraordinária reflexão de uma pessoa chamada Facundo Cabral*.

"Não estás deprimido, estás distraído! Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia - golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios. Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que é fundamental para viver. Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído. Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas, te liberta de coisas. Alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma. Aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.

Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural. Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te : “Amarás ao próximo como a ti mesmo”. Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever. Porque, se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os seus vizinhos. Um único homem que não possuiu talento e valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas. E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas). Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez. Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida, e receberás sem medida. Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor. E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.

O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida. Vale a pena, não é mesmo? Se Deus possuisse uma geladeira, teria a tua foto grudada nela. Se ele possuisse uma carteira, tua foto estaria nela. Ele te envia flores a cada primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, mas escolheu o teu coração. Encara, amigo, Ele está louco por ti! Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém Ele prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas, e luz para o caminho. “Quando a vida te trouxer mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para
sorrir”


* Facundo Cabral é um cantor Argentino, nascido em 22 de maio de 1937 na cidade de Balcarce, província de Buenos Aires, Argentina.

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Divagações no trânsito

O que passa pela cebeça de um repórter quando o trânsito está lento e o destino está longe?
Clique abaixo.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

FERIADO, NUNCA MAIS!!

Depois de debruçar sobre livros, varrer a internet atrás de respostas, pesquisar nos mais complexos e profundos anais (ôpa, sem nenhum trocadilho aqui) da natureza humana, fiz uma descoberta incrível: os feriados são piores que dias comuns!

Deixa eu explicar. Feriado não cai sempre no mesmo dia. Tem ano em que eles aparecem num domingo ou num sábado - quando isso acontece, não servem pra nada! Então já começa ruim por ai. Quando cai numa quinta ou terça, nós sempre corremos o risco de nada funcionar por quatro dias ou de tudo funcionar no meio deles. Se teu chefe não liberar a "emenda", babau. Se você pega um plantão, como nós jornalistas, no sábado, babau ao quadrado.

Vem o final de semana prolongado (aqueles com feriado na segunda ou a sexta) e você pensa "Ufa! Enfim, descanso". BESTEIRA! Se resolve pegar a Imigrantes pra ir pra paia vai enfrentar trocentos quilometros de congestionamento. Você sai na sexta à noite, chega no sábado de madrugada, vai pro restaurante e fica 3 horas na fila pra comer um rodízio. A conta demora 2 horas e o garçom pede desculpas pelo atendimento por causa da lotação. Voce sai, fica uma hora parado no trânsito da beira-mar, entra na areia, dá dois mergulhos e resolve voltar pra não pegar trânsito no dia seguinte. Aquele um milhão de pessoas que também desceram a serra resolvem fazer a mesma coisa, no mesmo horário! Aí você demora mais pra chegar em São Paulo de carro do que pegar um trêm para a Malásia.

Tá bom, você não foi para a praia. Resolveu pegar um cineminha. Chega no shopping e leva 40 minutos só pra entrar no estacionamento. Pra encontrar uma vaga lá se mais 30 minutos. Quando vê perdeu a sessão. Mesmo assim resolve comprar ingressos para a próxima sessão, duas horas depois. Fica 55 minutos na fila até descobrir pela atendente que as pessoas que estavam na sua frente lotaram a sessão! Voce sai dali furioso e vai comer alguma coisa pra amenizar a raiva. Olha pro Mac, fila astronômica. A do Bobs dá 3 voltas na praça. Pega um cachorro quente e roda 30 minutos com a bandeja na mão tentando encontrar lugar pra sentar. Não acha e come subindo e descendo as escadas rolantes do lugar. Cheio de tudo aquilo resolve ir embora. Fila pra pagar o tiquete, pra sair do estacionamento e congestionamento na frente do shopping. PELAMORDEDEUS!!!

Vai pra casa e pede uma pizza. Descobre que 99% delas estão fechadas, afinal é feriado. A que está aberta fica na ZL e vc mora na ZO. Depois de tres horas e meia a "margherita" chega parecendo mais um pastel abandonado em estufa de rodoviária. Como última tentativa de salvar seu fim-de-semana de folga, come aquilo e segue pra locadora. TODOS OS 3.456 CLIENTES RESOLVERAM FAZER A MESMA COISA! O único filme que sobra é um VHS do "Exterminador do Futuro". Larga a mão e volta pra casa pensando em dormir cedo. Isso se a festinha que rola no salão de festas do seu prédio, organizada pelo filho pentelho daquele vizinho chato, deixar!

DETESTO FERIADO! Primeiro por causa disso tudo acima. Segundo porque JORNALISTA NÃO TEM FERIADO. Quer outros motivos? O trânsito só é tranquilo pra onde você não vai, você não consegue encontrar quase nada aberto e ainda tem de aguentar os parentes de fora que resolveram passar o findi na sua casa. Vou solicitar a Deus para decretar que todos os dias santificados sejam no domingo, todos os feriados no sábado e que a semana de dias úteis tenha 10 dias. Assim a gente não passa mais raiva.

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sábado, 31 de outubro de 2009

Uma visita cheia de alma

Uma história real: o dia em que recebi a visita de um amigo que morreu tragicamente.

Era uma noite fria do mês de julho de 2006. Eu recém tinha me mudado para Florianópolis, depois de morar quase 20 anos em Campo Grande Mato Grosso do Sul. Nesse tempo todo lá fiz amigos maravilhosos, mas alguns se destacaram ainda mais por serem especialmente companheiros, daqueles que, não importa seu astral ou seus problemas, estão sempre prontos a ajudá-lo.

Meses antes daquela noite em Florianópolis, eu tinha recebido a notícia da morte de um desses amigos queridos - o Silvinho - num acidente de moto. Ele era piloto, instrutor de pilotagem e comandava uma moto como poucos, não tinha porque se acidentar. Mas como estamos predestinados a morrer um dia, de uma forma ou de outra, cedo ou tarde, ele também se foi. Sua morte deixou vários amigos da nossa turma abaladíssimos, foi imprevisível. Confesso que chorei como criança quando recebi a notícia. Eu estava longe, impossibilitado de ir, ao menos, ao enterro. Passei dias revendo fotos da nossa turma de motociclistas e as lágrimas corriam dos meus olhos sempre me que lembrava daquele cara brincalhão, pai exemplar, amigo insuperável e correto.

Logo que cheguei a Florianópolis, conheci Débora, minha mulher. O que nos uniu ainda mais foi nossa espiritualidade e crença na vida após a morte, reencarnação, etc. Ela é médium e vive vendo entidades que nos cercam. No começo isso me assustava um pouco, apesar do meu pouco conhecimento na área, mas me acostumei com ela falando "temos visitas hoje". Eu só perguntava "Do bem ou do mal?". Graças a Deus eram sempre do bem.

Uma dessas visitas me comoveu. Segundo a descrição da minha mulher (que não vê com nitidez, apenas vultos embaçados) era um jovem de estatura mediana, por volta de um e setenta e cinco de altura, cabelos ondulados e com físico bem definido. Parecia trajar camiseta branca e calça jeans. Agitava uma das mãos no ar como se estivesse rabiscando um caderno. Dizia que estava bem, feliz, depois de ter entendido o que tinha acontecido. Comecei a desconfiar daquele espírito que estava querendo me dizer alguma coisa. E a mensagem era realmente para mim. Eu tinha quase certeza que era meu amigo Silvinho que veio me confortar. O jeito de rabiscar uma folha de papel ou um caderno na sala do seu escritório, sempre que conversávamos, revelou isso.

Ao terminar sua apresentação, ele se foi calma e tranquilamente como chegou. Corri para o computador emocionado, abri uma pasta de fotos, escolhi uma da nossa turma em que havia uns 20 motociclistas e pedi para minha mulher identificar entre eles aquela entidade que nos visitou. Ela, que nunca o tinha visto antes, apontou o dedo exatamente para Silvinho, no meio dos amigos. Desmontei e não consegui conter o choro emocionado. Era ele sim que tinha vindo ali me tornar o porta voz da turma para anunciar que ele estava bem.

Nunca achei que eu merecesse tanto. Poder descrever aquele momento para nossos amigos em comum foi um troféu, um presente que jamais esquecerei. É como ser o portador de uma mensagem de paz para todos os povos do mundo. Agradeço sempre a visita de Silvinho. Mesmo que de forma trágica, ele alcançou onde nós sempre desejamos estar um dia - ao lado de Deus! Fique em paz amigo!

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O Zina que virou zica!

"Ronaldo": dá pra ficar famoso falando só isso?"

Eu bem que desconfiei! O que o pessoal do Pânico tinha visto naquele cara, com jeito de "nóia" que não fazia absolutamente nada durante os quadros do programa e ainda por cima não tinha graça nenhuma? Gosto do programa, assisto-o quase todos os domingos como uma forma de encerrar o fim de semana dando risada. Acho agressivos alguns quadros, mas me divirto no sofá com a petulância e a irreverência da trupe. Agora, botar esse tal de Zina como personagem, vamolá, tenha paciência!

Ao ver as notícias sobre o processo que ele movia contra a Rede TV, entendi a jogada. O cara suspendeu a ação onde pedia mais 200 mil reais de indenização por danos morais em troca de uma "boquinha" no programa. A produção usou exaustivamente a imagem dele depois que Zina deu uma entrevista no início do ano ao pessoal do Pânico, na porta do Pacaembu. Era o momento em que Ronaldo chegava ao time e o nome dele foi cansativamente repetido como vinheta do programa na boca do Zina. Isso sem ele ter dado qualquer autorização. Foi uma exploração descabida de um homem que, descobriu-se depois também, sofre de problemas mentais. Zina agora é funcionário do Pânico, ganhou uma casa de presente (como perguntou o Blog do Imbroglione, "Ganhou mesmo?") e virou celebridade. Celebridade? É, alguns pensam, porque nem ele mesmo reconhece ou sabe o que é isso.

A televisão tem muito disso, explorar alguns coitados que ganham uma merreca diante do salário milionário de outros. E em alguns casos, o salário-merreca é um simples "cala-a-boca" para evitar ações dispendiosas para as emissoras. O pior é que no caso do Zina o cala-a-boca dele não deve ter chegado nem a metade do que a ação pedia - a casinha que ele ganhou na periferia não deve valer muito, o salário dele na Rede TV então deve ser de fome. Muito até para as condições em que ele vivia, mas muito pouco para quem serviu de chacota para todo o país, principalmente na condição de uma pessoa com problemas mentais. Só quero saber agora se eles vão continuar dando apoio ao Zina depois que ele foi preso com cocaína.

Imagine então se algum advogado resolve abraçar outras figuras usadas pelo Pânico, como aquele mendigo banguela que sempre diz "não entendi nada que ele disse", o cara do "cadê o chinelo" ou então o rapazinho delicado de óculos que dá gritinhos na praia. A emissora ou vai ter de dar muita casa por ai ou inchar o quadro de funcionários com mais algumas celebridades efêmeras. E advogado não vai faltar pra isso.

O que Zina mais precisava não teve: apoio psicológico. Ao contrário, jogaram um cara num meio onde muitos piraram por causa da fama imediata que sobe à cabeça. Por sorte (dele) Zina é tão pirado que nem deu importância a isso. Agora o que vai acontecer quando o Pânico abandoná-lo lá na Xurupita, só Deus sabe... e talvez até tema por isso!

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Focinho de porco não é tomada!


Esse velho ditado da cultura popular brasileira vai acabar. Ou, pelo menos, vai ser incoerente usá-lo. Isso porque as tomadas do país vão mudar. A não ser que o nariz do porco também mude geneticamente e passe a ter "3 furos", o ditado não vai servir mais.

É isso que o governo, numa "brilhante" idéia, determinou em nova lei que passa a vigorar a partir de 2010. As novas tomadas que os brasileiros terão de usar em suas casas terão três furos, redondos, o central um pouco mais abaixo da linha horizontal dos demais. Os buracos multi-uso atuais, que permitem a introdução de pinos chatos ou arredondados, vão desaparecer. A justificativa, diz o comitê que determinou isso, é segurança. Os novos modelos seriam mais seguros que os atuais.

Na minha opinião, acho uma tremenda besteira que vai nos fazer gastar uma grana para trocar as tomadas da nossa casa, cada vez que comprarmos um aparelho que venha com o novo plugue "tri-pino". E conhecendo bem o "jeitinho brasileiro de levar vantagem" em tudo, como dizia nosso querido Gerson, sinto cheiro de problema aí - ou melhor, cheiro de algo queimando em curto circuito!

A norma diz que todo imóvel construído a partir de Janeiro/2010 terá de usar o novo modelo na instalação elétrica. Mas o que eu faço com meus 234 aparelhos eletrônicos e carregadores quando eu quiser me mudar pra casa nova? Compro uma régua-extensão e ligo tudo ali ou compro tudo novo?

As tomadas podem até ser mais seguras porque impedem o contato da mão com os pinos metálicos por onde passa a corrente elétrica. Talvez não tomemos mais choque. Mas especialistas dizem que uma simples modificação nos modelos atuais, a maioria já com três pinos (dois chatos e o terra redondo como o padrão americano), seria suficiente para dar a mesma segurança dos novos plugues. Bastaria criar uma espécie de ressalto em volta dos furos ou fazer com que ficassem mais fundos. Traria o mesmo efeito do novo modelo. E com um detalhe: SERIA MUITO MAIS BARATO E MAIS FUNCIONAL para as indústrias de materiais elétricos e equipamentos eletrônicos, obrigadas a se adequar às novas normas.

Outro detalhe: os novos tipos de plugue e tomada são diferentes de tudo que existe no mundo. Só o Brasil vai ter. Sendo assim, pode esquecer aquela câmera fotográfica nova que você comprou em Miami cujo carregador obedece ao padrão internacional, ou aquele Laptop que você trouxe do Japão. Vai carregar a bateria onde?

Ahaaaa! Mas ai vão fabricar por aqui também os adaptadores! Ou você acha que a Santa Ifigênia já não pensou nisso? Aí meu amigo, usou o adaptador, sua segurança vai pro brejo. Imagina o velho benjamim com 3 aparelhos plugados. Só os pinos vão ser novos - os buracos vão continuar os mesmos.

É... choque mesmo você vai levar quando ver a conta da compra das novas tomadas!

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Olha o Windows 7 baratinho aí gente!!!

Artigo sobre a rapidez da pirataria no Brasil.

http://blogs.r7.com/reporteres-da-record/

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Horário de Verão: ame ou odeie!

Todos os anos eu perco uma hora da minha preciosa vida. E depois me devolvem, meses depois sem juros nenhum - pelo contrário, vem com prejuízo e dos grandes. Mas eu amo o horário de verão. A gente sai do trabalho e ainda tá claro, dá a impressão de que sobra mais tempo pra ir pro boteco, pra academia, pro cinema ou pra uma simples caminhada na avenida. O pior é que a gente só se acostuma com ele quando já tá terminando. Até lá, tenta convencer o teu corpo que ja são uma da matina. Não dá! Ele vai querer te carregar pra cama só as duas. Só que se esquece de que no dia seguinte vai ter de acordar as sete. Ou melhor, biologicamente falando, as seis! É assim: a gente não consegue dormir cedo, MAS É OBRIGADO A ACORDAR CEDO!

É quem esquece de adiantar o relógio então? Sabia que segunda foi o Dia Mundial de Chegar Atrasado no Trabalho? Pelo menos é a desculpa que a maioria usa. O vagabundo fica mais uma horinha na cama e depois chega com aquela cara inchada, como se tivesse tomado picada de abelha, dizendo que se esqueceu de mudar os ponteiros. Se eu fosse dono de empresa, na sexta tinha dado um despertador de presente pra cada funcionário, daqueles baratinhos da 25 de março. E já adiantados! Aí não tinha desculpa.

O horário de verão foi criado para economizar energia. Belaroba!! Como economizar energia se agora quando você cai da cama ainda tá escuro? A luz que você não acende no final da tarde, acaba acendendo de manhazinha! Mas dizem que adianta, né?

O pior do horário de verão são outras desculpinhas que a gente dá. "Benhê, vem dormir, tá tarde. Calma amor, no horário antigo ainda são duas da manhã. Deixa acabar o filme". Ou senão... "Valfrido, pára de cochilar em cima da máquina de xerox! Peraí chefe, é horário de verão. To dormindo menos né?".

Agora quando acaba, é uma beleza. Você ganha duas meia-noites. Quem faz aniversário no dia seguinte ganha dois "parabéns-a-você". E vocês, mulheres, podem chegar uma hora atrasadas naquela boate que dá entrada "free" para damas até meia noite. Melhor ainda é poder dormir uma hora a mais no dia seguinte. Ô beleza! Só tem um porém: quando bater o domingão à noite, você já vai estar cochilando antes de começar o Pânico. Afinal foram quatro meses fazendo seu corpo pegar no sono mais cedo. Ô dureza!

Sabe que me toquei de uma coisa? Esse horário de verão ta fazendo a gente comemorar o níver de Cristo fora do horário faz tempo! Imagina: falta uma hora pra ele nascer e a gente já tá lá caindo de bêbado, cantando "jingoubéus" e desejando Feliz Natal pra todos! "Que vergonha!", deve pensar ele lá de cima!

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domingo, 18 de outubro de 2009

Blog dos Repórteres


Acesse aqui, no Blog dos Repórteres da TV Record, outros artigos que não publico neste blog.

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sábado, 17 de outubro de 2009

O menos realmente é mais

Eu, entrando numa loja dez anos atrás. Pego umas cinco camisas, umas quatro calças, dois pares de sapatos, dois cintos. "Quanto deu moço? Mil e duzentos reais? Divide em 3 vezes?" Saco o talão de cheques, pago e ainda vou pro restaurante do shopping gastar mais uns 150 pilas no almoço.

Dez anos atrás eu tinha uma vida boa, ganhava bem e gastava bem também. O problema era a dor de cabeça pra pagar estas contas. O cheque especial tava sempre no vermelho, cartão de crédito estourado e vencido, desespero! Eu era muito perdulário, muitas vezes gastava sem necessidade. Acha que eu precisava daquelas cinco camisas, calças, cintos e sapatos? Que nada! Semana antes eu tinha feito compra semelhante. Mas eu era o "cara da TV", precisava sempre estar "na onda".

Com erros cometidos que me fizeram abrir mão do conforto que já tive, fui obrigado a mudar. Desde que perdi tudo, percebi que sou muito mais feliz com o menos que tenho hoje. Já não moro mais em casões com piscina, não tenho mais duas empregadas, tenho apenas um carro na garagem que divido com a minha mulher no dia-a-dia e não gasto mais em lojas como antes. Só um detalhe: hoje ganho muito mais que naquela época. O que mudou? Minha percepção do que realmente pode me trazer felicidade.

Descobri que descomplicar a vida é o melhor caminho para se ter mais paz e harmonia. Hoje sou uma pessoa muito mais comedida nos gastos (apesar da minha mulher achar que não - ela não me conhecia antes). Hoje compro quatro calças e cinco camisas em um ano, mas só por estar realmente precisando. E me viro muito bem numa Renner ou C&A. Não sou de marcas, gosto daquilo que me veste bem e pronto.

Gosto de comida simples, de vestir camiseta, tênis e jeans pra ir a uma festa e até já comprei relógio em camelô. "Po, mas você é o cara da televisão!", me dizem sempre. E daí? Sou uma pessoa comum como qualquer outra. Compro na 25 de março, como coxinha de boteco e detesto restaurante caro. Meu prato predileto é arroz, feijão, carne moída e salada de tomate. Ser simples me trouxe mais tranquilidade para fazer aquilo que gosto e me aproximou de pessoas verdadeiras, daquelas que não estão do seu lado apenas por você ter o que tem.

Ter menos hoje me dá mais. Descomplicar a vida é a essência do bem estar. E a melhor coisa do mundo não é olhar à sua volta e ver o que conseguiu adquirir. O melhor de tudo é poder olhar pra sua mulher e pra sua minúscula cachorrinha de estimação e pensar "Caraca, como eu sou feliz com isso!".

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