sábado, 7 de agosto de 2010

A justiça é cega! Mas nem tanto.

Eu tento confiar nela, eu tento acreditar nela, tento crer que é a única coisa nesse país que funciona. Mas, cada vez mais, ela me dá sinais de que faz parte da mesma estrutura falida da maioria das instiuições públicas.

Hoje fui cobrir o caso de um frentista acusado de assalto. Uma mulher foi roubada próximo ao posto onde ele trabalha. Sem mais nem menos, chegou, olhou pra cara dele e disse á à polícia: FOI ELE MESMO!! Acontece que o coitado estava trabalhando na hora do assalto. Como sei disso? E como provo isso? As imagens das câmeras de segurança do posto, com data e hora, comprovam. Além do mais o depoimento de um colega e do próprio patrão do rapaz atestam isso. Ele não arredou pé do local por um segundo qualquer enquanto a louca desvairada tinha sua bolsa roubada por algum larápio. Adiantou? NÃO! A polícia foi lá, pegou o cara e jogou numa cela junto com bandidos, esses sim com acusações comprovadas. Inquérito aberto, o fretista ficou 14 dias na cadeia. Só conseguiu sair agora por força de um habeas-corpus. Mas vai "responder a acusação" em liberdade. O nome vai ficar manchado. E pra piorar ele adquiriu sindrome do pânico - não consegue mais sair à rua imaginando que alguém vai apontá-lo para incriminá-lo de algo. Ele tem 22 anos de idade.

Enquanto se apressa em colocar o suposto autor do assalto na cadeia, essa mesma justiça revoga a prisão de Mizael Bispo de Souza, apontado quase sem dúvida nenhuma como autor do assassinato de Mércia Nakashima. Nesse caso sim há provas contundentes, segundo a polícia - o envolvimento dos dois, as brigas, o depoimento de um dos cúmplices, a terra no tênis, a falta de alibi, etc. Indícios suficientes para colocá-lo na cadeia. E onde esta Mizael agora? No conforto da sua casa rindo da polícia e da justiça que não conseguem colocá-lo atrás das grades. Um juiz decreta sua prisão e sua colega desembargadora revoga. Não parece, mas pra mim soa como guerra de forças entre magistrados, um querendo mostrar que pode mais que o outro. Enquanto isso a família que teve uma vida ceifada, desmonta sua crença nessa instituição que trabalha com pesos e medidas diferentes.

Fico me perguntando qual a diferença entre Mizael Bispo e o frentista Jorge. Seus status? Suas profissões? Suas diferenças culturais? Lógico que para muitos o fato de um ser advogado e ex-pm e o outro ser um "réles" frentista é determinante no destino de cada um. Mas se a justiça é cega, como que ela também parece enxergar dessa forma? Cegos, na minha opinião, são alguns magistrados que se acham acima da lei e da justiça e não percebem a batalha entre si travada através de prisões decretadas, habeas corpus emitidos, liminares expedidas. É mais ou menos como eu dizer que jornalistas ao meu lado são pulhas e parasitas ou incompetentes. A justiça não deveria cuspir no seu próprio prato.

1 comentário

Márcio disse...

É difícil de acreditar,mas eu também tenho muito medo de um dia passar por uma situação como esta!
Será que o delegado não teve a menor sensibilidade na versão do frentista e suas testemunhas?
Ou será o que o delegado, era o mesmo do programa LEGENDÁRIOS(REDE RECORD) exibido no Último Sábado?
A sociedade já está muito cansada de tanta injustiça!

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